sábado, 4 de junho de 2011

Perco-me em toda e qualquer lembrança que a tanto tempo me permiti escondê-las em algum lugar indecifrável, até a iminente explosão de realidade. Enquanto me dizem o que fazer, o que devia ter feito, ou o que não devia, me concentro em tudo aquilo que foge deste contexto, vejo-me a cada dia mais perdida e com sede de respostas.

Encontro-me em todas as coisas que até então encontrava-te apenas. Nem tudo é como desejamos, nem tudo acaba ou ao menos começa, nem tudo sai como o planejado. E quando vemos claramente o que todos sempre viram e nos damos conta de que por um orgulho burro nos tornamos extremamente céticos. O fato é que depois do súbito choque de realidade não mencionamos mais palavras grandiloquentes como “nunca” ou “sempre”, apenas nos damos conta da verdade, aceitamos e deixamos sê-la.

Me diz “vem” e eu vou, essa é a verdade, é a saudade, é a busca por tudo que já foi vivido, já foi experimentado, a procura por alguém que seja exatamente igual a outro. É o futuro do subjuntivo baseando-se único e exclusivamente no passado.

domingo, 8 de maio de 2011

Há algo agradável nas tempestades que interrompem a rotina.A neve ou a chuva gélida nos liberam subitamente das expectativas, das exigências de resultados e da tirania dos compromissos e dos horários.Ao contrário da doença, esta é uma experiência mais coletiva do que individual. Quase podemos ouvir um suspiro de alívio erguer-se em uníssono na cidade próxima e no campo, onde a natureza interveio para dar uma folga aos exaustos seres humanos. Todos os afetados pela tempestade são unidos por uma desculpa mútua. De súbito e inesperadamente o coração fica um pouco mais leve. Não serão necessárias desculpas por não comparecer a algum compromisso. Todos entendem e compartilham a mesma justificativa, e a retirada súbita de qualquer pressão alegra a alma.

É claro que as tempestades também interrompem negócios, e, embora umas poucas empresas tenham um ganho extra, outras perdem dinheiro – o que significa que existem os que não sentem júbilo quando tudo fecha temporariamente. Mas é impossível culpar alguém pela perda de produção ou por não conseguir chegar ao escritório. Mesmo que a situação só dure um ou dois dias, de algum modo cada pessoa se sente dona do seu mundo simplesmente porque aquelas gotinhas de água congelam ao bater no chão.
Até as atividades comuns se tornam extraordinárias. Ações rotineiras se transformam em aventuras e freqüentemente são vivenciadas com maior clareza.

                                                                                A Cabana, de William Young

sábado, 7 de maio de 2011

Repentino enlevo

E quando nos deparamos com tudo àquilo que até então não nos fora apresentado, ou simplesmente porque não deixávamos sê-los. Um pequeno descuido e basta. Assusta. Deixei-me ser atingida por você e suas palavras, não que isso seja algo ruim, pelo contrário, me desvencilho de todo o medo e cautela que insisto em carregar nos ombros. E pesa. Despi-me de qualquer visão erroneamente romantizada que pudesses ter a meu respeito. Livre de todo esse peso me transformo em uma criança, e daquelas bem mimadas mesmo com direito a bater o pé e reclamar de tudo. (enfatiza) Você me transforma. Consigo ser tudo ao mesmo tempo, consigo ser eu mesma, sem ficar me policiando a todo o momento para não desagradar alguém. Consigo sentir a reciprocidade. E é isso que me fascina, é isso que me prende tanto a você, de algum modo arranca toda a armadura e me deixa completamente vulnerável a tudo, não deixando alternativa que não seja, sermos eu e você.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por regra ou prudência.

A diferença é que eu não uso esse órgão chamado coração como subterfúgio para qualquer tipo de fraqueza que eu venha a ter. É apenas uma mistura de emoções devido a um momento específico, portanto, isso não significa que eu precise necessariamente nomeá-lo com algum tipo de sentimento. Como se eu soubesse realmente o que eu estou sentindo...
E é essa a beleza, não permitir enquadrar as emoções e os momentos em dado estereótipo. Acho extremamente cansativo. Todo mundo já terminou a montagem do quebra-cabeça enquanto continuo analisando a consistência de cada peça. Na minha pasta de orações condicionais, essa seria a única pergunta cuja resposta seria o retrocesso. Quero e preciso outros 17 e longos anos.

"o mistério me entedia. dá trabalho. sei o que acontece, e você também. as
maquinações que nos levam até lá é que me irritam, me deixam perplexa, me
interessam e me estarrecem.
há muitas coisas em que se pensar.
muitas histórias."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais Reticências.

E como nem tudo sai conforme o planejado, muita coisa acabou ficando fora do lugar. Como nem todo fato acontece de acordo com as expectativas criadas em torno dele, muitas atitudes deixaram à desejar. Acontece que ninguém tem obrigação de adivinhar o que você espera, é difícil conseguir o que quer se nem você mesmo sabe o que é.
Ninguém é perfeito.
Ninguém ainda aprendeu a ler pensamentos.
Acontece que quando se gosta de verdade, existe a vontade de ser sempre o melhor que se possa ser. existe sim o desejo de chegar o mais perto possível da perfeição - se não puder tocá-la, que ao menos a tangencie. Muitas pessoas estufam o peito ao dizer que não cedem, muitas dessas mesmas pessoas enganam-se achando que realmente gostam de alguém. Sentimento requer cuidado, carinho, precisa ser tratado com respeito. Não é auto-suficiente, precisa ser diariamente alimentado. Se constrói num substrato de pequenas atitudes que se transformam em gestos inesquecíveis, tornam-se fotografias guardadas na memória. Atropele o orgulho que tanto tenta impedí-lo de dizer e fazer o que mais tem vontade. Passe por cima de qualquer sentimento que o impessa de fazer o que você sente. Se ainda assim estiver hesitante, coloque prós e contras em cima da balança. pense, repense, considere, reconsidere, arrisque-se.
E enquanto estiver feliz não se esqueça de não se privar de mostrar os dentes pra quem quiser vê-los.

...

Dificilmente serei vista forçando um sorriso. Sou aquela que não controla o que pensa, que não deixa de falar o que tem vontade. Não existe situação que me faça apelar para o piloto automático e nem incluir o conformismo ao meu dicionário. No que quer que eu faça a palavra de ordem será plenitude. Comigo é oito ou oitenta. Não quero pedaço, dispenso a metade, não sei fazer expressão de falso contentamento. Tudo ou nada. Se vai se arrepender, não faça e se não vai conseguir cumprir, não prometa. Existo com o propósito de me entregar em absoluto para as poucas coisas que me fazem bem. Vivo para ser intensa e não para dizer que sou.
Quero estar permanentemente sem ar.

Transforma-te

Por tantas vezes me vi racionalizando sentimentos ao invés de deixá-los simplesmente ser e discorrendo comigo mesma sobre qual era a escolha certa ou que era preciso ser feito. Faltava-me fazer além da obrigação, viver além do piloto automático. Encontrei-me de mãos dadas simplesmente por não haver bolso para reconfortá-las e assim foi até o momento em que você me fez despertar das convenções e pertinências.
cautelosa, como não poderia deixar de ser, passeava sob a ponta dos pés através de cada uma das novas sensações que você me apresentava. Apegava-me cada vez mais ao novo mostruário de cores, ao som proferido pelo teu sotaque e à perspectiva de poder cessar essa desgastante procura. Passei então a reconhecer o reflexo mostrado no espelho como sendo o meu próprio e deixei de apenas olhar por através da minha presença, antes vazia. Noite após noite meu inconsciente presenteava-me ao colocá-lo nos meus sonhos avisando-me de que eu já não poderia mais me esconder por muito tempo. não poderia escondê-lo dentro de mim por muito tempo. Todo ritmo agora me instigava a querer dançar e para abrir um largo sorriso bastava que a minha imaginação me remetesse a você.
Deixei escorregar o escudo e você aproveitou para me despir da armadura. à sua mercê me descobri pisando inteiramente em terras nunca antes desbravadas e nos pés, trajava calçado algum.