Um minuto, um minuto de esperança,
e depois tudo acaba. E toda crença
em ossos já se esvai. Só resta a mansa
decisão entre morte e indiferença.
Um minuto, não mais, que o tempo cansa,
e sofisma de amor não há que vença
este espinho, esta agulha, fina lança
a nos escavacar na praia imensa.
Mais um minuto só, e chega tarde.
mais um pouco de ti, que não te dobras,
e que eu me empurre a mim, que sou covarde.
Um minuto, e acabou. Relógio solto,
indistinta visão em céu revolto,
um minuto me baste, e a minhas obras.
(Carlos Drummond de Andrade)
Tell me there's a logic out there. Leading me to better prepare for the day that something really special might come.
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
conforto
Sete horas da manhã, AC/DC tocando no telefone, o sol querendo entrar pela fresta da janela fazendo com que meus olhos cansados se abrissem, minhas pernas entrelaçando os lençóis - sim, era um novo dia - as dúvidas que assombravam - me a noite anterior e me causavam insônia já haviam sido arrancadas do meu consiente e não me faziam mal. O dia me esperava com um novo propósito, não faziam sentido os motivos pelo qual o medo me cercava ha algum tempo, me sentia bem comigo como se tivesse me libertado de algo um tanto desnecessário, sorria, novamente sem esconder absolutamente nada - transparência - isso me deixava bem. Sentia no peito uma enorme vontade de mudar, de conhecer coisas diferentes, pessoas diferentes... De viver, finalmente. Tudo que me ligava a ele já havia partido junto com ele. Tudo que ofereci deixei com o remetente e não o pedi de volta, era um sentimento que dentro de mim eu já desconhecia.
Pequenas coisas me bastavam, mas, no final, elas não foram suficientes.
Pequenas coisas me bastavam, mas, no final, elas não foram suficientes.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Paradóxo
Estive pensando em como as pessoas só dão o devido valor ao que lhes convém. Tá, não tô dizendo que isso é errado, mas custa olhar em volta e perceber coisas que talvez alguém esteja há algum tempo querendo mostrar e não faz idéia de como fazê-lo. Estive me questionando em relação a uma certeza e uma dúvida, por qual seria mais adequado sofrer? Uma certeza que ha tempos me persegue pra ser mais exata um ano e quatro meses ou uma dúvida recente? Ambas, destinadas desde o início ao fracasso, por isso, só podia optar entre sofrer por uma das duas, afinal, lutar só me levaria a um sofrimento ainda maior no final. Mas a dúvida é algo que rouba meus pensamentos fazendo-me pensar sobre o mesmo assunto horas e horas a fio, porque realmente gosto de analisar cada detalhe, cada atitude afim de que eu possa perceber algo que até então eu desconhecia, que transforme a dúvida em certeza, mas na verdade, o que resulta - pensamentos embaralhados - e mais algumas dúvidas. Mas o que me faz sofrer tanto? Algo que desde o início da minha vida eu teimo não acreditar? Ou a frase correta seria, algo que eu temo acreditar? Algo que ultimamente eu tenho falado tanto sobre. Hahah então quer dizer que minha vida virou um grande paradóxo. Trágico, não? Ou melhor, dramático? Drama. Algo que eu tenho repulsa, haha voltamos ao ponto inicial. Não seria mais fácil se as pessoas fossem mais claras? Deixassem claro a intenção real, não existiriam dúvidas em relação a sentimentos - portanto - o número de pessoas decepcionadas diminuiriam, certo? ou simplismente algumas pessoas preferem ser enganadas, é cansativo procurar respostas quando o melhor é não tê-las, é o que convém. O problema é que a droga da esperança tá sempre ali em cada canto que você vá. Ela te leva ao alto pra no fim te jogar de lá de cima parecendo ainda rir na sua cara por você ter confiado nela. Não tenho medo de ser dramática, tampouco de mudar de opinião, mas sim, tenho um terrível medo de me apaixonar, afinal, é o que me convém...
complexidade
Ultimamente, tenho tido dias estressantes. Me revolto com atitudes, com pessoas e até comigo mesma... O fato é que, é inútil. É inútil, pensar que ele vai mudar, pensar que ele vai se importar, que ele vai ter o mínimo de decência e perguntar: "- você está bem?", que ele vai ligar, que ele falará a verdade... é inútil. Me torno repetitiva, simplismente porque a cena é repetitiva. Quando pararemos pra pensar em o quanto nós damos importância a coisas que - na verdade - não são necessárias. Será que vale a pena? Porque é inútil. Um pouco de precaução e comedimento fazem bem à saúde. Mas é tão difícil esquecer um sorriso um tanto envergonhado, um olhar extremamente demorado que desligue você do mundo e te deixe um pouco constrangida mas que nem a certa vergonha consiga fazê-la desviar o olhar, um abraço confortante, um carinho um pouco desajeitado, são lembranças que seriam improváveis de arrancar do pensamento, isso faz com que me revolte comigo, hm. Pensando no que ainda podia acontecer se houvesse mais um momento, mais uma chance, mais um minuto sequer, mudaria o rumo das coisas? Mudaria a forma com que elas vem acontecendo ? Talvez, mas no final, seria inútil...
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