domingo, 24 de junho de 2012

Breve

Existe alguma incoerência ao se pensar que tu realmente colhe o que planta? Se sim, para tudo que eu estou prestes a começar uma linha de raciocínio que não fará sentido algum.

Pra vocês.

Se fôssemos uma sociedade emocionalmente organizada e menos egoísta, não teríamos tanta gente traumatizada por aí. Mais ou menos assim, se pensássemos que o objetivo de um relacionamento é tornar a outra pessoa melhor, acrescentar ao invés de tirar, preparar o outro pra um possível próximo relacionamento, todo mundo teria alguém “treinado” e não um bando de gente despreparada emocionalmente. Talvez fôssemos até mais estáveis e não teríamos tantas separações. Tipo uma ajuda coletiva, tu ensina e recebe uma pessoa que foi ensinada. Prático e menos estressante.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Tu era tão bonito

Já era rotina te observar dormindo. Sentia-me feliz só por estar ali sentindo o teu coração bater, tua respiração calma, tu era tão bonito. Acordava sempre com o cheiro do café forte. Lembro de um dia abrir os olhos e me deparar com a tua imagem, parecia uma fotografia, sentado a minha frente, pernas cruzadas, um cigarro entre os dedos e uma xícara na outra mão, só uma brecha de luz entre a janela e a cortina semi-aberta. Não conseguia te ver claramente, mas ainda assim, tu era tão bonito. Lembro de tudo como se fosse ontem, demorado e intenso, sempre. Havia prazer em tudo o que fazíamos até mesmo coisas normais como, uma madrugada quente, tu vidrado no vídeo-game e eu deitada no teu colo, atenta lendo tuas composições - e corrigindo - mesmo as inacabadas. Já te disse que um dos meus melhores momentos contigo foi na madrugada em que tu pegou teu violão e tocou todas as músicas que sempre me fizeram lembrar de ti? tua voz um pouco desafinada e mesmo assim tão bonita.
O cuidado e a preocupação com o outro sempre estiveram presente naquele quarto bagunçado, mesmo latente, estiveram.
Um dia estávamos deitados, um de frente pro outro, enquanto te fitava percebi que teus olhos eram verdes, achei graça por ainda não saber, mas a armação fina e as lentes nela encaixadas não me permitiram perceber antes, tão bonito.
E cada vez mais tentávamos tornar tudo isso sem importância e deixar o sentimento sempre implícito, não nos demos conta de que nada disso daria certo, não desse jeito.
Uma noite, estávamos deitados, concentrando-nos nos sete minutos que uma pessoa leva em média pra dormir, eu precisava dizer alguma coisa, precisava te contar o que sentia, então disse baixinho, como quem não tem certeza se deveria dizer, disse: "não quero ficar longe de ti." Tu respirou e me puxou pra mais perto de ti, meu ouvido então ficou bem em cima do teu peito me entregando na tua frequência cardíaca o que tu não teve coragem de verbalizar. Um erro geométrico pôs tudo a perder. Nunca soube o que tu me diria se ouvisse de novo a frase, não me permiti dizer mais nada neste contexto ou não tivemos oportunidade para mais explicações, às vezes a vida dá uma chance só e talvez mais coisas ditas só abririam precedentes para mais coisas não ditas. Acho que neste tempo longe tentei suprir tua falta com outras pessoas, mas no fundo nunca me enganei. Não tenho mais tanto pra dizer como tive ha algum tempo atrás. Só a confissão de que ainda sou tua.
Tu era tão bonito.

180 pés

Sabe como é fácil fingir diante das pessoas? Sabe o quanto é fácil dizer que tudo está bem, que com as coisas ruins a gente sempre aprende um pouco, que precisamos tirar dos erros algum aprendizado e todas essas estupidez que nem quem as fala acredita.
Mas tu me ensinou a mentir tão bem. Tu ia gostar do meu novo eu, o eu criado por ti, que nunca se importou muito. Exatamente como tu queria, como planejou. Desde atitudes admiráveis do início até os gestos tortos do fim. Quase que um intensivo de ti. Aprendi direitinho e ainda ensinei alguém também, não me orgulho disso, devia ter parado em mim. Mas eu sou o que tu fez de mim, sem tirar nem pôr.
Sabe como é difícil enganar a si mesmo? é isso que faço desde então, às vezes me pergunto se isso faz parte da brincadeira, se tu também te sentia assim ou se eu não aprendi tão direitinho assim como pensei. Aposto na segunda opção, nunca fui tão boa quanto tu ao omitir sentimentos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

small memories

Era estranho o jeito como as coisas aconteciam e a rapidez com que elas aconteciam, mesmo assim, não me privava de sentir intensamente cada segundo de tudo o que me proporcionava. Meados de 2009, é já faz tempo, mas há alguns dias atrás pareceu que nenhum dia sequer havia passado desde então, como se todo esse tempo tivesse congelado, como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado, e realmente muita coisa continua no mesmo lugar exatamente como você deixou.

Naquele momento, naquele minuto, olhei nos seus olhos e pude voltar a dois anos atrás, enquanto seus olhos vinham ao encontro dos meus pude lembrar-me do primeiro dia, de como tudo aconteceu e de como eu me sentia a pessoa mais sortuda do mundo. Enquanto meus olhos percorriam por seus braços tatuados, lembrava-me dos abraços e de como me sentia protegida enquanto me encaixava perfeitamente entre seus braços e seu pescoço, aliás, percebi uma tatuagem nova, não? Você pareceu um pouco surpreso ao me ver, ali naquele mesmo lugar de idas e vindas que tanto freqüentávamos. Enquanto isso terminava minha viagem pelo seu corpo, relembrando a mudança radical da qual você me sujeitou - músicas, lugares, gostos, defeitos, manias, nada mais foi igual depois que você “passou” pela minha vida, algumas pessoas duvidam de tal mudança por ter sido assim tão súbita e tão exagerada, mas, sinceramente não me arrependo nenhum segundo. Enquanto fitava seus lábios, lembrava-me de todos os beijos, palavras, promessas e até mesmo das brigas, elas me fizeram crescer, amadurecer, você sabia que eu aprenderia e eu aprendi, pena que você não estava mais aqui quando isso aconteceu pra me dar um abraço forte e me chamar de “nanica”, afinal, eu brigava mas gostava dos apelidos. Nesse mesmo momento, o trem chegou e você entrou como da última vez, exatamente igual – exceto por dessa vez eu já estar esperando por isso - as portas fecharam-se e eu? Não, eu não tive coragem de entrar naquele vagão novamente, apesar de a vontade ter sido o oposto da atitude.

Hoje mesmo, eu ousei mencionar a alguém que ninguém, nunca, jamais, vai ocupar o seu lugar, nem que queira, nem que faça questão, nem que tente ser ao menos parecido, qualquer um pode entrar na minha vida, mas nenhum vai substituí-lo.


sábado, 23 de julho de 2011

lhano

Sempre tive facilidade em escrever textos, ou melhor, me expressar por meio de palavras.
Faz algum tempo que eu não escrevo, e não pense que é por falta de histórias ou criatividade, mas sim, por muita falta de vontade. Afinal, parece que quando se escreve sobre algo, aquilo de que se fala torna-se automaticamente exato e não, simples pensamentos, sentimentos, idéias e afins... Torna-se a tua própria opinião, algo que não se pode mudar, reverter. E eu - como não podia deixar de ser - tenho quase um colapso só de pensar em ser diretamente ligada a algo, não por medo do que outras pessoas irão pensar, mas por medo de não ter o simples direito de mudar de idéia. Quando se fala de alguém que muda de opinião facilmente, pensa-se em alguém frágil, influenciável e sem opiniões formadas, em contrapartida, mudo de conceito quando me convém, quando EU quero, e todas as minhas opiniões são muito bem formadas, diga-se de passagem.
A única coisa que jamais muda, é o desejo de viver INTENSAMENTE, sem restrições, nos extremos, sem meios-termos, se é bom que seja exageradamente bom, se é ruim que seja excessivamente ruim, não tenho medo de errar feio, mas se for pra acertar que seja perfeitamente, sem aquela história de talvez ou mais ou menos. É sim ou não. Dentre as coisas do qual não abro mão, está a imprescindível felicidade, chega ser hiperbólica a necessidade que eu tenho de sorrir sem-pre mesmo sem muitos motivos, mesmo só um sorrisinho de leve, um pouco envergonhado nascendo no cantinho dos lábios, talvez esse seja o mais sincero. Mas são muito mais que bem-vindas também as gargalhadas, aquelas com vontade, que faz qualquer um que estiver por perto gargalhar junto sem nem mesmo saber o motivo. Sorrir, taí algo que jamais me rendeu arrependimentos.

sábado, 4 de junho de 2011

Perco-me em toda e qualquer lembrança que a tanto tempo me permiti escondê-las em algum lugar indecifrável, até a iminente explosão de realidade. Enquanto me dizem o que fazer, o que devia ter feito, ou o que não devia, me concentro em tudo aquilo que foge deste contexto, vejo-me a cada dia mais perdida e com sede de respostas.

Encontro-me em todas as coisas que até então encontrava-te apenas. Nem tudo é como desejamos, nem tudo acaba ou ao menos começa, nem tudo sai como o planejado. E quando vemos claramente o que todos sempre viram e nos damos conta de que por um orgulho burro nos tornamos extremamente céticos. O fato é que depois do súbito choque de realidade não mencionamos mais palavras grandiloquentes como “nunca” ou “sempre”, apenas nos damos conta da verdade, aceitamos e deixamos sê-la.

Me diz “vem” e eu vou, essa é a verdade, é a saudade, é a busca por tudo que já foi vivido, já foi experimentado, a procura por alguém que seja exatamente igual a outro. É o futuro do subjuntivo baseando-se único e exclusivamente no passado.

domingo, 8 de maio de 2011

Há algo agradável nas tempestades que interrompem a rotina.A neve ou a chuva gélida nos liberam subitamente das expectativas, das exigências de resultados e da tirania dos compromissos e dos horários.Ao contrário da doença, esta é uma experiência mais coletiva do que individual. Quase podemos ouvir um suspiro de alívio erguer-se em uníssono na cidade próxima e no campo, onde a natureza interveio para dar uma folga aos exaustos seres humanos. Todos os afetados pela tempestade são unidos por uma desculpa mútua. De súbito e inesperadamente o coração fica um pouco mais leve. Não serão necessárias desculpas por não comparecer a algum compromisso. Todos entendem e compartilham a mesma justificativa, e a retirada súbita de qualquer pressão alegra a alma.

É claro que as tempestades também interrompem negócios, e, embora umas poucas empresas tenham um ganho extra, outras perdem dinheiro – o que significa que existem os que não sentem júbilo quando tudo fecha temporariamente. Mas é impossível culpar alguém pela perda de produção ou por não conseguir chegar ao escritório. Mesmo que a situação só dure um ou dois dias, de algum modo cada pessoa se sente dona do seu mundo simplesmente porque aquelas gotinhas de água congelam ao bater no chão.
Até as atividades comuns se tornam extraordinárias. Ações rotineiras se transformam em aventuras e freqüentemente são vivenciadas com maior clareza.

                                                                                A Cabana, de William Young