O cuidado e a preocupação com o outro sempre estiveram presente naquele quarto bagunçado, mesmo latente, estiveram.
Um dia estávamos deitados, um de frente pro outro, enquanto te fitava percebi que teus olhos eram verdes, achei graça por ainda não saber, mas a armação fina e as lentes nela encaixadas não me permitiram perceber antes, tão bonito.
E cada vez mais tentávamos tornar tudo isso sem importância e deixar o sentimento sempre implícito, não nos demos conta de que nada disso daria certo, não desse jeito.
Uma noite, estávamos deitados, concentrando-nos nos sete minutos que uma pessoa leva em média pra dormir, eu precisava dizer alguma coisa, precisava te contar o que sentia, então disse baixinho, como quem não tem certeza se deveria dizer, disse: "não quero ficar longe de ti." Tu respirou e me puxou pra mais perto de ti, meu ouvido então ficou bem em cima do teu peito me entregando na tua frequência cardíaca o que tu não teve coragem de verbalizar. Um erro geométrico pôs tudo a perder. Nunca soube o que tu me diria se ouvisse de novo a frase, não me permiti dizer mais nada neste contexto ou não tivemos oportunidade para mais explicações, às vezes a vida dá uma chance só e talvez mais coisas ditas só abririam precedentes para mais coisas não ditas. Acho que neste tempo longe tentei suprir tua falta com outras pessoas, mas no fundo nunca me enganei. Não tenho mais tanto pra dizer como tive ha algum tempo atrás. Só a confissão de que ainda sou tua.
Tu era tão bonito.
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