domingo, 8 de maio de 2011

Há algo agradável nas tempestades que interrompem a rotina.A neve ou a chuva gélida nos liberam subitamente das expectativas, das exigências de resultados e da tirania dos compromissos e dos horários.Ao contrário da doença, esta é uma experiência mais coletiva do que individual. Quase podemos ouvir um suspiro de alívio erguer-se em uníssono na cidade próxima e no campo, onde a natureza interveio para dar uma folga aos exaustos seres humanos. Todos os afetados pela tempestade são unidos por uma desculpa mútua. De súbito e inesperadamente o coração fica um pouco mais leve. Não serão necessárias desculpas por não comparecer a algum compromisso. Todos entendem e compartilham a mesma justificativa, e a retirada súbita de qualquer pressão alegra a alma.

É claro que as tempestades também interrompem negócios, e, embora umas poucas empresas tenham um ganho extra, outras perdem dinheiro – o que significa que existem os que não sentem júbilo quando tudo fecha temporariamente. Mas é impossível culpar alguém pela perda de produção ou por não conseguir chegar ao escritório. Mesmo que a situação só dure um ou dois dias, de algum modo cada pessoa se sente dona do seu mundo simplesmente porque aquelas gotinhas de água congelam ao bater no chão.
Até as atividades comuns se tornam extraordinárias. Ações rotineiras se transformam em aventuras e freqüentemente são vivenciadas com maior clareza.

                                                                                A Cabana, de William Young

sábado, 7 de maio de 2011

Repentino enlevo

E quando nos deparamos com tudo àquilo que até então não nos fora apresentado, ou simplesmente porque não deixávamos sê-los. Um pequeno descuido e basta. Assusta. Deixei-me ser atingida por você e suas palavras, não que isso seja algo ruim, pelo contrário, me desvencilho de todo o medo e cautela que insisto em carregar nos ombros. E pesa. Despi-me de qualquer visão erroneamente romantizada que pudesses ter a meu respeito. Livre de todo esse peso me transformo em uma criança, e daquelas bem mimadas mesmo com direito a bater o pé e reclamar de tudo. (enfatiza) Você me transforma. Consigo ser tudo ao mesmo tempo, consigo ser eu mesma, sem ficar me policiando a todo o momento para não desagradar alguém. Consigo sentir a reciprocidade. E é isso que me fascina, é isso que me prende tanto a você, de algum modo arranca toda a armadura e me deixa completamente vulnerável a tudo, não deixando alternativa que não seja, sermos eu e você.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por regra ou prudência.

A diferença é que eu não uso esse órgão chamado coração como subterfúgio para qualquer tipo de fraqueza que eu venha a ter. É apenas uma mistura de emoções devido a um momento específico, portanto, isso não significa que eu precise necessariamente nomeá-lo com algum tipo de sentimento. Como se eu soubesse realmente o que eu estou sentindo...
E é essa a beleza, não permitir enquadrar as emoções e os momentos em dado estereótipo. Acho extremamente cansativo. Todo mundo já terminou a montagem do quebra-cabeça enquanto continuo analisando a consistência de cada peça. Na minha pasta de orações condicionais, essa seria a única pergunta cuja resposta seria o retrocesso. Quero e preciso outros 17 e longos anos.

"o mistério me entedia. dá trabalho. sei o que acontece, e você também. as
maquinações que nos levam até lá é que me irritam, me deixam perplexa, me
interessam e me estarrecem.
há muitas coisas em que se pensar.
muitas histórias."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais Reticências.

E como nem tudo sai conforme o planejado, muita coisa acabou ficando fora do lugar. Como nem todo fato acontece de acordo com as expectativas criadas em torno dele, muitas atitudes deixaram à desejar. Acontece que ninguém tem obrigação de adivinhar o que você espera, é difícil conseguir o que quer se nem você mesmo sabe o que é.
Ninguém é perfeito.
Ninguém ainda aprendeu a ler pensamentos.
Acontece que quando se gosta de verdade, existe a vontade de ser sempre o melhor que se possa ser. existe sim o desejo de chegar o mais perto possível da perfeição - se não puder tocá-la, que ao menos a tangencie. Muitas pessoas estufam o peito ao dizer que não cedem, muitas dessas mesmas pessoas enganam-se achando que realmente gostam de alguém. Sentimento requer cuidado, carinho, precisa ser tratado com respeito. Não é auto-suficiente, precisa ser diariamente alimentado. Se constrói num substrato de pequenas atitudes que se transformam em gestos inesquecíveis, tornam-se fotografias guardadas na memória. Atropele o orgulho que tanto tenta impedí-lo de dizer e fazer o que mais tem vontade. Passe por cima de qualquer sentimento que o impessa de fazer o que você sente. Se ainda assim estiver hesitante, coloque prós e contras em cima da balança. pense, repense, considere, reconsidere, arrisque-se.
E enquanto estiver feliz não se esqueça de não se privar de mostrar os dentes pra quem quiser vê-los.

...

Dificilmente serei vista forçando um sorriso. Sou aquela que não controla o que pensa, que não deixa de falar o que tem vontade. Não existe situação que me faça apelar para o piloto automático e nem incluir o conformismo ao meu dicionário. No que quer que eu faça a palavra de ordem será plenitude. Comigo é oito ou oitenta. Não quero pedaço, dispenso a metade, não sei fazer expressão de falso contentamento. Tudo ou nada. Se vai se arrepender, não faça e se não vai conseguir cumprir, não prometa. Existo com o propósito de me entregar em absoluto para as poucas coisas que me fazem bem. Vivo para ser intensa e não para dizer que sou.
Quero estar permanentemente sem ar.

Transforma-te

Por tantas vezes me vi racionalizando sentimentos ao invés de deixá-los simplesmente ser e discorrendo comigo mesma sobre qual era a escolha certa ou que era preciso ser feito. Faltava-me fazer além da obrigação, viver além do piloto automático. Encontrei-me de mãos dadas simplesmente por não haver bolso para reconfortá-las e assim foi até o momento em que você me fez despertar das convenções e pertinências.
cautelosa, como não poderia deixar de ser, passeava sob a ponta dos pés através de cada uma das novas sensações que você me apresentava. Apegava-me cada vez mais ao novo mostruário de cores, ao som proferido pelo teu sotaque e à perspectiva de poder cessar essa desgastante procura. Passei então a reconhecer o reflexo mostrado no espelho como sendo o meu próprio e deixei de apenas olhar por através da minha presença, antes vazia. Noite após noite meu inconsciente presenteava-me ao colocá-lo nos meus sonhos avisando-me de que eu já não poderia mais me esconder por muito tempo. não poderia escondê-lo dentro de mim por muito tempo. Todo ritmo agora me instigava a querer dançar e para abrir um largo sorriso bastava que a minha imaginação me remetesse a você.
Deixei escorregar o escudo e você aproveitou para me despir da armadura. à sua mercê me descobri pisando inteiramente em terras nunca antes desbravadas e nos pés, trajava calçado algum.

domingo, 1 de maio de 2011

Go.

Fantasiamos o momento em que abdicaremos de tudo só por assim querer, por então sentir uma incontestável convicção apertando o peito. Nada avisa quando o momento chega, ele apenas entra escancarando a porta. preciso dizer que raras são as pessoas que realmente tem a oportunidade de se deixar levar em queda livre, não por fraqueza mas pela própria falta de oportunidade. Algumas portas simplesmente permanecem trancadas, intactas. e pior, sem que ninguém tenha vontade de adentrá-las.
E você não passa de alguém oscilando entre paradoxos, por vezes romântico e por tantas outras cético... mas com potencial para poder ser ambos, dependendo apenas das circunstâncias.
Quando então alguém arromba a sua fortaleza trás consigo tudo aquilo por que você se viu esperar por esse tempo todo, sem saber ao certo se ainda apostava na sua chegada ou não.
Sem precedentes, sem conchavo e sem explicação plausível.
Só com aquela certeza intumescendo o peito.
Quem você pensa que é para tentar lutar contra?
Confere o pára-quedas reserva e salta.

Dissimulação desprezável

Ninguém quer realmente parar para ouvir o que tens a dizer... querem apenas um novo alvo para fazer pontaria, um novo sujeito para enredar em mirabolantes histórias, um parâmetro que os façam parecer um pouco menos podres... se for te colocar numa posição em que possa levar uma rasteira que tenha em mente no que te apoiarás para levantar.
E se as pessoas com quem te importa derem de ombros enquanto fala ou não aprovarem uma vírgula das tuas mais genuínas palavras, é porque a recíproca nunca passou de uma grande ilusão.
Que ninguém nos dite frases, aponte para o nosso caminhar na rua ou resolva nos contemplar com repentinos e forjados obstáculos. Quem o fizer será invariavelmente acometido por um grande desapontamento ao se ver fracassando diante do que construímos. Eu já disse, repito, a partir de agora, somos só eu e você... quando muito mais do que isso, as nuvens.

tens a chave.

dear

Bem, talvez a culpa seja minha e de meu otimismo cego.
Talvez você e sua necessidade doentia de dar amor, e tirar depois. E você vai adicionar o meu nome a sua longa lista de traidores que não entendem e eu vou olhar para trás e lamentar como eu ignorei quando diziam "Corra o mais rápido que puder". Você é um expert em desculpas, e manter as linhas borradas. Nunca me impressiono com seus testes e todas as garotas que você seca com o cansaço, olhos sem vida porque você os queimou, mas, peguei seus fósforos antes que o fogo pudesse me pegar. Então não olhe agora: estou brilhando como fogos de artifício sobre a sua cidade vazia e triste. Eu vejo tudo agora que você foi embora, você não acha que eu era muito jovem para ter mexido comigo? a garota de vestido chorou durante todo o caminho de casa. Eu deveria saber.

despretensioso

Por vezes tranqüila e por tantas outras angustiante o certo é que se trata de uma procura incessante por algo que abale toda e qualquer estrutura emocional. Que amordace suas respostas, suas palavras, que engesse suas atitudes e que desencoraje qualquer resquício de alto confiança que se possa ter. É querer preencher o vazio com algo que o faça ceder até à iminente explosão. Depender não por insuficência do ego, mas por vontade própria. É a criação de uma nova relação de simbiose.

É uma página toda em branco e um medo absurdo de traçar a primeira linha, ou curva, ou tracejado... isso me faz pensar no quanto preciso parar no meio desse caminho para comprar uma borracha enquanto ainda não se comercializa coragem.