Por tantas vezes me vi racionalizando sentimentos ao invés de deixá-los simplesmente ser e discorrendo comigo mesma sobre qual era a escolha certa ou que era preciso ser feito. Faltava-me fazer além da obrigação, viver além do piloto automático. Encontrei-me de mãos dadas simplesmente por não haver bolso para reconfortá-las e assim foi até o momento em que você me fez despertar das convenções e pertinências.
cautelosa, como não poderia deixar de ser, passeava sob a ponta dos pés através de cada uma das novas sensações que você me apresentava. Apegava-me cada vez mais ao novo mostruário de cores, ao som proferido pelo teu sotaque e à perspectiva de poder cessar essa desgastante procura. Passei então a reconhecer o reflexo mostrado no espelho como sendo o meu próprio e deixei de apenas olhar por através da minha presença, antes vazia. Noite após noite meu inconsciente presenteava-me ao colocá-lo nos meus sonhos avisando-me de que eu já não poderia mais me esconder por muito tempo. não poderia escondê-lo dentro de mim por muito tempo. Todo ritmo agora me instigava a querer dançar e para abrir um largo sorriso bastava que a minha imaginação me remetesse a você.
Deixei escorregar o escudo e você aproveitou para me despir da armadura. à sua mercê me descobri pisando inteiramente em terras nunca antes desbravadas e nos pés, trajava calçado algum.
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