terça-feira, 9 de agosto de 2011

small memories

Era estranho o jeito como as coisas aconteciam e a rapidez com que elas aconteciam, mesmo assim, não me privava de sentir intensamente cada segundo de tudo o que me proporcionava. Meados de 2009, é já faz tempo, mas há alguns dias atrás pareceu que nenhum dia sequer havia passado desde então, como se todo esse tempo tivesse congelado, como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado, e realmente muita coisa continua no mesmo lugar exatamente como você deixou.

Naquele momento, naquele minuto, olhei nos seus olhos e pude voltar a dois anos atrás, enquanto seus olhos vinham ao encontro dos meus pude lembrar-me do primeiro dia, de como tudo aconteceu e de como eu me sentia a pessoa mais sortuda do mundo. Enquanto meus olhos percorriam por seus braços tatuados, lembrava-me dos abraços e de como me sentia protegida enquanto me encaixava perfeitamente entre seus braços e seu pescoço, aliás, percebi uma tatuagem nova, não? Você pareceu um pouco surpreso ao me ver, ali naquele mesmo lugar de idas e vindas que tanto freqüentávamos. Enquanto isso terminava minha viagem pelo seu corpo, relembrando a mudança radical da qual você me sujeitou - músicas, lugares, gostos, defeitos, manias, nada mais foi igual depois que você “passou” pela minha vida, algumas pessoas duvidam de tal mudança por ter sido assim tão súbita e tão exagerada, mas, sinceramente não me arrependo nenhum segundo. Enquanto fitava seus lábios, lembrava-me de todos os beijos, palavras, promessas e até mesmo das brigas, elas me fizeram crescer, amadurecer, você sabia que eu aprenderia e eu aprendi, pena que você não estava mais aqui quando isso aconteceu pra me dar um abraço forte e me chamar de “nanica”, afinal, eu brigava mas gostava dos apelidos. Nesse mesmo momento, o trem chegou e você entrou como da última vez, exatamente igual – exceto por dessa vez eu já estar esperando por isso - as portas fecharam-se e eu? Não, eu não tive coragem de entrar naquele vagão novamente, apesar de a vontade ter sido o oposto da atitude.

Hoje mesmo, eu ousei mencionar a alguém que ninguém, nunca, jamais, vai ocupar o seu lugar, nem que queira, nem que faça questão, nem que tente ser ao menos parecido, qualquer um pode entrar na minha vida, mas nenhum vai substituí-lo.


sábado, 23 de julho de 2011

lhano

Sempre tive facilidade em escrever textos, ou melhor, me expressar por meio de palavras.
Faz algum tempo que eu não escrevo, e não pense que é por falta de histórias ou criatividade, mas sim, por muita falta de vontade. Afinal, parece que quando se escreve sobre algo, aquilo de que se fala torna-se automaticamente exato e não, simples pensamentos, sentimentos, idéias e afins... Torna-se a tua própria opinião, algo que não se pode mudar, reverter. E eu - como não podia deixar de ser - tenho quase um colapso só de pensar em ser diretamente ligada a algo, não por medo do que outras pessoas irão pensar, mas por medo de não ter o simples direito de mudar de idéia. Quando se fala de alguém que muda de opinião facilmente, pensa-se em alguém frágil, influenciável e sem opiniões formadas, em contrapartida, mudo de conceito quando me convém, quando EU quero, e todas as minhas opiniões são muito bem formadas, diga-se de passagem.
A única coisa que jamais muda, é o desejo de viver INTENSAMENTE, sem restrições, nos extremos, sem meios-termos, se é bom que seja exageradamente bom, se é ruim que seja excessivamente ruim, não tenho medo de errar feio, mas se for pra acertar que seja perfeitamente, sem aquela história de talvez ou mais ou menos. É sim ou não. Dentre as coisas do qual não abro mão, está a imprescindível felicidade, chega ser hiperbólica a necessidade que eu tenho de sorrir sem-pre mesmo sem muitos motivos, mesmo só um sorrisinho de leve, um pouco envergonhado nascendo no cantinho dos lábios, talvez esse seja o mais sincero. Mas são muito mais que bem-vindas também as gargalhadas, aquelas com vontade, que faz qualquer um que estiver por perto gargalhar junto sem nem mesmo saber o motivo. Sorrir, taí algo que jamais me rendeu arrependimentos.

sábado, 4 de junho de 2011

Perco-me em toda e qualquer lembrança que a tanto tempo me permiti escondê-las em algum lugar indecifrável, até a iminente explosão de realidade. Enquanto me dizem o que fazer, o que devia ter feito, ou o que não devia, me concentro em tudo aquilo que foge deste contexto, vejo-me a cada dia mais perdida e com sede de respostas.

Encontro-me em todas as coisas que até então encontrava-te apenas. Nem tudo é como desejamos, nem tudo acaba ou ao menos começa, nem tudo sai como o planejado. E quando vemos claramente o que todos sempre viram e nos damos conta de que por um orgulho burro nos tornamos extremamente céticos. O fato é que depois do súbito choque de realidade não mencionamos mais palavras grandiloquentes como “nunca” ou “sempre”, apenas nos damos conta da verdade, aceitamos e deixamos sê-la.

Me diz “vem” e eu vou, essa é a verdade, é a saudade, é a busca por tudo que já foi vivido, já foi experimentado, a procura por alguém que seja exatamente igual a outro. É o futuro do subjuntivo baseando-se único e exclusivamente no passado.

domingo, 8 de maio de 2011

Há algo agradável nas tempestades que interrompem a rotina.A neve ou a chuva gélida nos liberam subitamente das expectativas, das exigências de resultados e da tirania dos compromissos e dos horários.Ao contrário da doença, esta é uma experiência mais coletiva do que individual. Quase podemos ouvir um suspiro de alívio erguer-se em uníssono na cidade próxima e no campo, onde a natureza interveio para dar uma folga aos exaustos seres humanos. Todos os afetados pela tempestade são unidos por uma desculpa mútua. De súbito e inesperadamente o coração fica um pouco mais leve. Não serão necessárias desculpas por não comparecer a algum compromisso. Todos entendem e compartilham a mesma justificativa, e a retirada súbita de qualquer pressão alegra a alma.

É claro que as tempestades também interrompem negócios, e, embora umas poucas empresas tenham um ganho extra, outras perdem dinheiro – o que significa que existem os que não sentem júbilo quando tudo fecha temporariamente. Mas é impossível culpar alguém pela perda de produção ou por não conseguir chegar ao escritório. Mesmo que a situação só dure um ou dois dias, de algum modo cada pessoa se sente dona do seu mundo simplesmente porque aquelas gotinhas de água congelam ao bater no chão.
Até as atividades comuns se tornam extraordinárias. Ações rotineiras se transformam em aventuras e freqüentemente são vivenciadas com maior clareza.

                                                                                A Cabana, de William Young

sábado, 7 de maio de 2011

Repentino enlevo

E quando nos deparamos com tudo àquilo que até então não nos fora apresentado, ou simplesmente porque não deixávamos sê-los. Um pequeno descuido e basta. Assusta. Deixei-me ser atingida por você e suas palavras, não que isso seja algo ruim, pelo contrário, me desvencilho de todo o medo e cautela que insisto em carregar nos ombros. E pesa. Despi-me de qualquer visão erroneamente romantizada que pudesses ter a meu respeito. Livre de todo esse peso me transformo em uma criança, e daquelas bem mimadas mesmo com direito a bater o pé e reclamar de tudo. (enfatiza) Você me transforma. Consigo ser tudo ao mesmo tempo, consigo ser eu mesma, sem ficar me policiando a todo o momento para não desagradar alguém. Consigo sentir a reciprocidade. E é isso que me fascina, é isso que me prende tanto a você, de algum modo arranca toda a armadura e me deixa completamente vulnerável a tudo, não deixando alternativa que não seja, sermos eu e você.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por regra ou prudência.

A diferença é que eu não uso esse órgão chamado coração como subterfúgio para qualquer tipo de fraqueza que eu venha a ter. É apenas uma mistura de emoções devido a um momento específico, portanto, isso não significa que eu precise necessariamente nomeá-lo com algum tipo de sentimento. Como se eu soubesse realmente o que eu estou sentindo...
E é essa a beleza, não permitir enquadrar as emoções e os momentos em dado estereótipo. Acho extremamente cansativo. Todo mundo já terminou a montagem do quebra-cabeça enquanto continuo analisando a consistência de cada peça. Na minha pasta de orações condicionais, essa seria a única pergunta cuja resposta seria o retrocesso. Quero e preciso outros 17 e longos anos.

"o mistério me entedia. dá trabalho. sei o que acontece, e você também. as
maquinações que nos levam até lá é que me irritam, me deixam perplexa, me
interessam e me estarrecem.
há muitas coisas em que se pensar.
muitas histórias."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais Reticências.

E como nem tudo sai conforme o planejado, muita coisa acabou ficando fora do lugar. Como nem todo fato acontece de acordo com as expectativas criadas em torno dele, muitas atitudes deixaram à desejar. Acontece que ninguém tem obrigação de adivinhar o que você espera, é difícil conseguir o que quer se nem você mesmo sabe o que é.
Ninguém é perfeito.
Ninguém ainda aprendeu a ler pensamentos.
Acontece que quando se gosta de verdade, existe a vontade de ser sempre o melhor que se possa ser. existe sim o desejo de chegar o mais perto possível da perfeição - se não puder tocá-la, que ao menos a tangencie. Muitas pessoas estufam o peito ao dizer que não cedem, muitas dessas mesmas pessoas enganam-se achando que realmente gostam de alguém. Sentimento requer cuidado, carinho, precisa ser tratado com respeito. Não é auto-suficiente, precisa ser diariamente alimentado. Se constrói num substrato de pequenas atitudes que se transformam em gestos inesquecíveis, tornam-se fotografias guardadas na memória. Atropele o orgulho que tanto tenta impedí-lo de dizer e fazer o que mais tem vontade. Passe por cima de qualquer sentimento que o impessa de fazer o que você sente. Se ainda assim estiver hesitante, coloque prós e contras em cima da balança. pense, repense, considere, reconsidere, arrisque-se.
E enquanto estiver feliz não se esqueça de não se privar de mostrar os dentes pra quem quiser vê-los.

...

Dificilmente serei vista forçando um sorriso. Sou aquela que não controla o que pensa, que não deixa de falar o que tem vontade. Não existe situação que me faça apelar para o piloto automático e nem incluir o conformismo ao meu dicionário. No que quer que eu faça a palavra de ordem será plenitude. Comigo é oito ou oitenta. Não quero pedaço, dispenso a metade, não sei fazer expressão de falso contentamento. Tudo ou nada. Se vai se arrepender, não faça e se não vai conseguir cumprir, não prometa. Existo com o propósito de me entregar em absoluto para as poucas coisas que me fazem bem. Vivo para ser intensa e não para dizer que sou.
Quero estar permanentemente sem ar.

Transforma-te

Por tantas vezes me vi racionalizando sentimentos ao invés de deixá-los simplesmente ser e discorrendo comigo mesma sobre qual era a escolha certa ou que era preciso ser feito. Faltava-me fazer além da obrigação, viver além do piloto automático. Encontrei-me de mãos dadas simplesmente por não haver bolso para reconfortá-las e assim foi até o momento em que você me fez despertar das convenções e pertinências.
cautelosa, como não poderia deixar de ser, passeava sob a ponta dos pés através de cada uma das novas sensações que você me apresentava. Apegava-me cada vez mais ao novo mostruário de cores, ao som proferido pelo teu sotaque e à perspectiva de poder cessar essa desgastante procura. Passei então a reconhecer o reflexo mostrado no espelho como sendo o meu próprio e deixei de apenas olhar por através da minha presença, antes vazia. Noite após noite meu inconsciente presenteava-me ao colocá-lo nos meus sonhos avisando-me de que eu já não poderia mais me esconder por muito tempo. não poderia escondê-lo dentro de mim por muito tempo. Todo ritmo agora me instigava a querer dançar e para abrir um largo sorriso bastava que a minha imaginação me remetesse a você.
Deixei escorregar o escudo e você aproveitou para me despir da armadura. à sua mercê me descobri pisando inteiramente em terras nunca antes desbravadas e nos pés, trajava calçado algum.

domingo, 1 de maio de 2011

Go.

Fantasiamos o momento em que abdicaremos de tudo só por assim querer, por então sentir uma incontestável convicção apertando o peito. Nada avisa quando o momento chega, ele apenas entra escancarando a porta. preciso dizer que raras são as pessoas que realmente tem a oportunidade de se deixar levar em queda livre, não por fraqueza mas pela própria falta de oportunidade. Algumas portas simplesmente permanecem trancadas, intactas. e pior, sem que ninguém tenha vontade de adentrá-las.
E você não passa de alguém oscilando entre paradoxos, por vezes romântico e por tantas outras cético... mas com potencial para poder ser ambos, dependendo apenas das circunstâncias.
Quando então alguém arromba a sua fortaleza trás consigo tudo aquilo por que você se viu esperar por esse tempo todo, sem saber ao certo se ainda apostava na sua chegada ou não.
Sem precedentes, sem conchavo e sem explicação plausível.
Só com aquela certeza intumescendo o peito.
Quem você pensa que é para tentar lutar contra?
Confere o pára-quedas reserva e salta.

Dissimulação desprezável

Ninguém quer realmente parar para ouvir o que tens a dizer... querem apenas um novo alvo para fazer pontaria, um novo sujeito para enredar em mirabolantes histórias, um parâmetro que os façam parecer um pouco menos podres... se for te colocar numa posição em que possa levar uma rasteira que tenha em mente no que te apoiarás para levantar.
E se as pessoas com quem te importa derem de ombros enquanto fala ou não aprovarem uma vírgula das tuas mais genuínas palavras, é porque a recíproca nunca passou de uma grande ilusão.
Que ninguém nos dite frases, aponte para o nosso caminhar na rua ou resolva nos contemplar com repentinos e forjados obstáculos. Quem o fizer será invariavelmente acometido por um grande desapontamento ao se ver fracassando diante do que construímos. Eu já disse, repito, a partir de agora, somos só eu e você... quando muito mais do que isso, as nuvens.

tens a chave.

dear

Bem, talvez a culpa seja minha e de meu otimismo cego.
Talvez você e sua necessidade doentia de dar amor, e tirar depois. E você vai adicionar o meu nome a sua longa lista de traidores que não entendem e eu vou olhar para trás e lamentar como eu ignorei quando diziam "Corra o mais rápido que puder". Você é um expert em desculpas, e manter as linhas borradas. Nunca me impressiono com seus testes e todas as garotas que você seca com o cansaço, olhos sem vida porque você os queimou, mas, peguei seus fósforos antes que o fogo pudesse me pegar. Então não olhe agora: estou brilhando como fogos de artifício sobre a sua cidade vazia e triste. Eu vejo tudo agora que você foi embora, você não acha que eu era muito jovem para ter mexido comigo? a garota de vestido chorou durante todo o caminho de casa. Eu deveria saber.

despretensioso

Por vezes tranqüila e por tantas outras angustiante o certo é que se trata de uma procura incessante por algo que abale toda e qualquer estrutura emocional. Que amordace suas respostas, suas palavras, que engesse suas atitudes e que desencoraje qualquer resquício de alto confiança que se possa ter. É querer preencher o vazio com algo que o faça ceder até à iminente explosão. Depender não por insuficência do ego, mas por vontade própria. É a criação de uma nova relação de simbiose.

É uma página toda em branco e um medo absurdo de traçar a primeira linha, ou curva, ou tracejado... isso me faz pensar no quanto preciso parar no meio desse caminho para comprar uma borracha enquanto ainda não se comercializa coragem.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

E se...

Já pensou na hipótese de que um dia eu possa cansar de tudo isso? E se eu já cansei?
Você vai se arrepender? E se você se arrepender? Vai voltar e tentar refazer tudo de um jeito melhor? Ou vai simplesmente deixar assim como está?
Faço-me essas e outras perguntas diariamente e nunca tenho respostas concretas. Tudo o que eu queria era vê-lo interessado da mesma forma como eu sou, se me perguntasse como eu estou eu lhe diria que estou bem e fazendo muitos planos, ou, somente diria que estava feliz. Se quisesse saber sobre mim, tanto quanto eu quero saber sobre você, lhe diria que quis ser médica, que meu pai é tudo pra mim, que tenho um apego enorme por meus amigos e todos aqueles que me fazem sorrir, lhe diria todos os meus medos, contaria detalhe por detalhe de cada viagem, passeio e o motivo pelo qual, lembro de tudo com tanto carinho. Mostraria todos os rascunhos que fiz pensando em você e porque que cada vez que penso em ti perco a hora, riríamos de todas as minhas histórias, das suas histórias e depois te abraçaria com toda a intensidade do mundo pra que soubesse o quanto me deixa feliz a sua presença. Queria ter simplesmente o teu abraço, mais nada, sem precisar de palavras. Queria saber sobre o que te levou a tomar certas atitudes, queria saber quem te faz feliz porque, certamente, seria muito grata a quem lhe coloca um sorriso no rosto. Te diria todas as vezes que fiquei lembrando de momentos que estive perto de ti e que em todas as vezes fui pega com cara de boba ou sorrindo pro nada, e o quanto pensei em fugir pra algum lugar muito longe cada vez que percebia que eram só lembranças. Diria o quanto fico feliz quando te vejo feliz e o quanto não me importo se as pessoas vão saber disso. E te abraçaria novamente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Erro na simbiose.

A página não pôde ser encontrada! Tente novamente.
Eu sei, pra ti não faz a menor diferença o que eu penso ou deixo de pensar; o que eu sinto ou deixo de sentir. Mas vale acrescentar que cada palavra dita OU não por você faz diferença pra mim. E muito. É fácil realmente fugir de alguma situação mesmo sem a intenção sem que nos atinja. E quando eu disse que eu desistiria? Não me recordo dessa parte. Nunca pedi nada em troca, nunca pedi que correspondesse a todo ou qualquer sentimento designado à ti, porém, indiferença eu também não pedi.
Sabe aquele ditado que fala sobre não sentirmos o que não vemos, o que eu particularmente discordo. Não enxergar concretamente não torna a minha sensibilidade menos aguçada. pelo contrário, fui agraciada com uma exagerada percepção para demonstrações, diálogos, atitudes, gestos e, claro, para a falta deles também. Não costumo sentir remorso ao cortar laços quando enxergo neles algum tipo de nó. Escutamos palavras ásperas daquele de quem é quase insuportável de se escutar. Justamente por isso dói tanto. Você caminha em círculos, tropeçando sempre naquele mesmo pedregulho. Estupidamente tenta não ver o que é que o torna tão errante.

Vai, caminha pra bem longe daqui. Dê o maior número de passos que puder sem olhar pra trás.
Desata o nó.


"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."
                                                                                                     (Charles Chaplin)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!

                                        Eduardo Galeano, O Livro dos Abraços

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Só pra provar pro meu pai que eu gosto da minha futura formação... HAHA




Uma das ciências mais fascinantes porque desmonta o ser vivo em seus componentes básicos e tenta explicar o funcionamento ordenado das reações químicas que tornam possível a vida, freqüentemente adjetivada como milagre ou fenômeno. Entretanto, o processo químico muito bem organizado que estabelece toda a existência da vida em nosso planeta, tem sido desvendado, continuamente, por cientistas do mundo inteiro. Muito já se sabe, porém o desconhecido é a essência do conhecimento humano e a luta para desvendá-lo advém da natureza desbravadora da humanidade, que não se furta com explicações empíricas e procura a razão dos fatos ao invés de eternizá-los mitos.

Untitled.

Não lembro de ter prometido mudar. Ainda tenho meus princípios.

A busca constante por subterfúgios para arrancá-lo, ao menos, uma palavra de carinho, causava-me náuseas intermináveis, me policiava a cada minuto para evitar pensamentos negativos ou ilusórios. Atropelava minhas próprias palavras a fim de que pudesse arrumar ou desarrumar alguma situação. Idealizei um momento, do qual, não estava ao meu alcance, não era meu. A sensação de nó na garganta me trazia de volta todas as lembranças, e o nó aumentava cada vez mais. A dificuldade de expressão tornava tudo mais obscuro, mostrava-me certa de cada palavra, enquanto, ocultamente estava tão frágil, a ponto de desmoronar com o sopro da tua palavra mais torta. Não tinha as respostas para as minhas próprias perguntas, enquanto ele parecia ter estudado profundamente cada uma delas.

Ainda escuto as palavras que você não disse e planejo respostas irrecusáveis. Continuo podendo sentir o seu toque quando ele não conseguiu me alcançar. Não tenho dormido à noite na procura, incessante, pelo sentido em tantas frases pendentes. Quando não passa mais pela garganta é que a gente vê que precisa pôr pra fora. Admita e tente lidar com os passos em falso, os tropeços e os tombos. Eu sou quem lhe dá a mão e não a rasteira...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Undue.

É tudo culpa dessa bagunça que você deixou na minha vida e no meu cabelo.
culpa também da imposição da tua ausência.

Inúmeras eram as vezes em que me via, perdida, entorpecida...
Lembro-me o quão vertiginoso era a sua permanência. O relógio parecia
meu pior inimigo. Lembro que eu me descobria a cada dia mais adepta
e devota requisitante da tua desordem.

O que eu quero dizer é que hoje estou cansada de esperar a cada segundo o ruído do telefone exibindo sua chamada, a chegada de uma estação de trem a outra, esperar um beijo, um gesto de carinho...
Esperar demais de quem não tem capacidade de restituir o que lhe foi remetido. Eu tinha bolsos gigantescos que transbordavam todo o sentimento existente em mim, enquanto o destinado remetente não tinha desígnio nenhum de recebê-lo, tive toda a cautela que podia ter, afim de que obtivesse bons resultados, mas não, não obtive. Talvez seja mesmo culpa da minha confiança ininterrupta. Talvez. Mas eu tinha sim, sentimentos desmedidos transbordando por entre meus dedos...

Take what you want from me
It means nothing now...

Bifurcação.

Alimento a particularidade de ser tolerante, paciente, perspicaz, acontece que uma hora tudo isso tende a expandir-se. É realmente contristo sermos julgados à partir do momento em que nos enquadramos ou não em dado chavão. Toda essa repugnância que dirige à mim mesmo de uma forma intencionalmente indirecionada mostra-me o quão supérfluo tudo isso pode ser.


"Nas garras ferozes das circunstâncias, não me encolhi e nem fiz alarde do meu pranto. Golpeada pelo acaso, minha cabeça sangra, mas não se curva. Longe deste lugar de ira e lágrimas. Ainda assim, a ameaça dos anos me encontra, e me encontrará sempre, destemida. Não importando quão estreita seja a porta e quão profusa em punições seja a lista."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Inanição.

Há tempos venho percebendo o quanto meus objetivos e desejos tem dificuldades para sobrevir, acontece que pensando sobre isso obtive algumas respostas, respostas que para mim não foram as melhores.

Tive medo, por saber que algo que parecia realmente importante – na verdade – fosse algo que não me seria válido quando conseguisse, por ter sido tão difícil de alcançá-lo e, ao final, ver o quanto meus esforços tenham sido em vão me faltou força de vontade para continuar. Redirecionei. Pensei em todos os meus desejos, pensei se os mesmos me valeriam após consegui-los, descobri que um pouco mais da metade não me fariam a mínima diferença, na noite em que tudo isso me ocorreu como em uma tempestade de granizos, na qual, nem ansiolíticos me ajudariam, tendo uma personalidade tão evasiva – ainda assim - me faltaram subterfúgios.

Agora vejo tudo, como uma nova fase, com novos objetivos, anseios e isso me faz bem, faz parte do ciclo "mudanças" e mais do que nunca estou me preparando para elas.




não que não faça mais sentido, só resolvi deixar pra lá