Perco-me em toda e qualquer lembrança que a tanto tempo me permiti escondê-las em algum lugar indecifrável, até a iminente explosão de realidade. Enquanto me dizem o que fazer, o que devia ter feito, ou o que não devia, me concentro em tudo aquilo que foge deste contexto, vejo-me a cada dia mais perdida e com sede de respostas.
Encontro-me em todas as coisas que até então encontrava-te apenas. Nem tudo é como desejamos, nem tudo acaba ou ao menos começa, nem tudo sai como o planejado. E quando vemos claramente o que todos sempre viram e nos damos conta de que por um orgulho burro nos tornamos extremamente céticos. O fato é que depois do súbito choque de realidade não mencionamos mais palavras grandiloquentes como “nunca” ou “sempre”, apenas nos damos conta da verdade, aceitamos e deixamos sê-la.
Me diz “vem” e eu vou, essa é a verdade, é a saudade, é a busca por tudo que já foi vivido, já foi experimentado, a procura por alguém que seja exatamente igual a outro. É o futuro do subjuntivo baseando-se único e exclusivamente no passado.
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