quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Untitled.

Não lembro de ter prometido mudar. Ainda tenho meus princípios.

A busca constante por subterfúgios para arrancá-lo, ao menos, uma palavra de carinho, causava-me náuseas intermináveis, me policiava a cada minuto para evitar pensamentos negativos ou ilusórios. Atropelava minhas próprias palavras a fim de que pudesse arrumar ou desarrumar alguma situação. Idealizei um momento, do qual, não estava ao meu alcance, não era meu. A sensação de nó na garganta me trazia de volta todas as lembranças, e o nó aumentava cada vez mais. A dificuldade de expressão tornava tudo mais obscuro, mostrava-me certa de cada palavra, enquanto, ocultamente estava tão frágil, a ponto de desmoronar com o sopro da tua palavra mais torta. Não tinha as respostas para as minhas próprias perguntas, enquanto ele parecia ter estudado profundamente cada uma delas.

Ainda escuto as palavras que você não disse e planejo respostas irrecusáveis. Continuo podendo sentir o seu toque quando ele não conseguiu me alcançar. Não tenho dormido à noite na procura, incessante, pelo sentido em tantas frases pendentes. Quando não passa mais pela garganta é que a gente vê que precisa pôr pra fora. Admita e tente lidar com os passos em falso, os tropeços e os tombos. Eu sou quem lhe dá a mão e não a rasteira...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Undue.

É tudo culpa dessa bagunça que você deixou na minha vida e no meu cabelo.
culpa também da imposição da tua ausência.

Inúmeras eram as vezes em que me via, perdida, entorpecida...
Lembro-me o quão vertiginoso era a sua permanência. O relógio parecia
meu pior inimigo. Lembro que eu me descobria a cada dia mais adepta
e devota requisitante da tua desordem.

O que eu quero dizer é que hoje estou cansada de esperar a cada segundo o ruído do telefone exibindo sua chamada, a chegada de uma estação de trem a outra, esperar um beijo, um gesto de carinho...
Esperar demais de quem não tem capacidade de restituir o que lhe foi remetido. Eu tinha bolsos gigantescos que transbordavam todo o sentimento existente em mim, enquanto o destinado remetente não tinha desígnio nenhum de recebê-lo, tive toda a cautela que podia ter, afim de que obtivesse bons resultados, mas não, não obtive. Talvez seja mesmo culpa da minha confiança ininterrupta. Talvez. Mas eu tinha sim, sentimentos desmedidos transbordando por entre meus dedos...

Take what you want from me
It means nothing now...

Bifurcação.

Alimento a particularidade de ser tolerante, paciente, perspicaz, acontece que uma hora tudo isso tende a expandir-se. É realmente contristo sermos julgados à partir do momento em que nos enquadramos ou não em dado chavão. Toda essa repugnância que dirige à mim mesmo de uma forma intencionalmente indirecionada mostra-me o quão supérfluo tudo isso pode ser.


"Nas garras ferozes das circunstâncias, não me encolhi e nem fiz alarde do meu pranto. Golpeada pelo acaso, minha cabeça sangra, mas não se curva. Longe deste lugar de ira e lágrimas. Ainda assim, a ameaça dos anos me encontra, e me encontrará sempre, destemida. Não importando quão estreita seja a porta e quão profusa em punições seja a lista."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Inanição.

Há tempos venho percebendo o quanto meus objetivos e desejos tem dificuldades para sobrevir, acontece que pensando sobre isso obtive algumas respostas, respostas que para mim não foram as melhores.

Tive medo, por saber que algo que parecia realmente importante – na verdade – fosse algo que não me seria válido quando conseguisse, por ter sido tão difícil de alcançá-lo e, ao final, ver o quanto meus esforços tenham sido em vão me faltou força de vontade para continuar. Redirecionei. Pensei em todos os meus desejos, pensei se os mesmos me valeriam após consegui-los, descobri que um pouco mais da metade não me fariam a mínima diferença, na noite em que tudo isso me ocorreu como em uma tempestade de granizos, na qual, nem ansiolíticos me ajudariam, tendo uma personalidade tão evasiva – ainda assim - me faltaram subterfúgios.

Agora vejo tudo, como uma nova fase, com novos objetivos, anseios e isso me faz bem, faz parte do ciclo "mudanças" e mais do que nunca estou me preparando para elas.




não que não faça mais sentido, só resolvi deixar pra lá ♪

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Resumo.

Um tempo marcado por olhares intensos, marcantes. Lembro-me de cada um deles com a mesma intensidade que havia sentido no momento em que me ocorreu. As sensações eram diversas, alegria, medo, o coração apertado e desparado, o tremor das mãos e pernas, a sensação de borboletas voando no estômago, de liberdade. Me sentia livre para provar de todas aquelas sensações prazerosas, em um único momento - a troca de olhares - era algo que me preenchia de uma forma incondicional, algo que absolutamente ninguém podia participar ou ao menos perceber o que se passava. Duas bocas caladas, dois olhares atentos, dois corpos tensos, um perfume inesquecível, como se não houvesse ninguém ao redor. Ausência de toques. Algo inigualável quando as duas bocas caladas permanecem sem pronunciar nem uma única palavra.

sábado, 18 de dezembro de 2010

This blog is mine.

é, ele é meu. Portanto, escrevo o que eu bem entender e quem não estiver interessado no que escrevo simplismente não venha aqui, simples assim. Não sou o tipo de pessoa que faz coisas, nesse caso, escreve coisas apenas pela finalidade de agradar aos outros - como muita gente por aí -, aliás, faço até questão de não agradá-las, sempre fui um pouco audaciosa, talvez um pouco polêmica, isso faz com que não me restrinja a tal situação. As pessoas que tiverem certa dificuldade em interpretação de texto peço que façam o favor de não virem aqui, afinal, quero distância de pessoas ignorantes.

‘You ain’t nothing to me if you got nothing to say
I don’t know what you got that I can use anyway’



PS. Sim, tive motivos para esse post.

Dado o recado, grata,

Fran Nunes

Auto-biográfico.

Um show como qualquer outro, ele chegou e foi apresentado apenas a uma amiga dela, óbviamente com segundas intenções... Ela não sabia ao menos o nome dele, as horas passando e nada acontecia entre os então apresentados. Ele desaparecera. O show começou e ela já havia se perdido das amigas, quando olhou pra trás e viu ele acompanhado de um amigo, ele a viu. Haviam três pessoas entre os dois, durante alguma música não lembrada no momento, abriu um espaço ao lado dela e ele direcionou as três pessoas para o espaço vázio, ficando então atrás dela. Mesmo não tendo sido apresentados os dois sabiam que já havia uma certa afinidade. Ela sentiu os braços dele no seus ombros, apesar da situação embaraçosa, ela não sentiu-se constrangida. Em alguns minutos, ele abraçou-a, ela sentiu-se protegida. E ao som de "duas lágrimas" ele a beijou, como se todo o barulho ali se transformasse em silêncio naquele momento. Durou pouco, ela foi embora mas deixou o número de seu telefone e o endereço de alguma rede social em que participava. Alguns meses depois, em uma noite chuvosa eles se falaram novamente, alguns encontros ocorreram, viraram "amigos", deram conselhos um ao outro quando precisavam até mesmo sobre coisas do coração, ele apresentou a ela coisas novas, ela passou a escutar e gostar de todas as músicas que ele gostava, os lugares onde ele ia passou a ser os mesmos lugares onde ela ia, os livros, os filmes, tudo que o interessava acabou interessando a ela também. A vida dela mudou radicalmente, os momentos com ele eram sempre os melhores, ela sentia isso. Meses depois, ele começou um relacionamento. Passaram-se um ano e meio e ela continuava escutando as mesmas músicas, indo aos mesmos lugares, e tudo que havia feito quando o tinha por perto. Ela continuava apaixonada, sim, continuava. De certa forma, ele a fazia feliz. Mas já havia se acostumado a viver sem tê-lo por perto, apenas com as lembranças que ficaram guardadas, eram confortantes, ela sentia-se protegida do mesmo jeito que sentia-se como quando ele abraçou-a pela primeira vez...